26 de setembro de 2021

Ensaiando o amor

Como o amor existe?

Sempre escolhi a dedo as pessoas que coloco dentro do meu ciclo de amor. Sempre tive o cuidado de peneirar no meio da multidão as pessoas para acolher. 

Meu amor existe na ora que eu decido acolher. Na hora que eu decido que vou deixar alguém me conhecer, e isso pra mim é um ato de amor. Sou recluso.

Gosto de mostrar que meu amor é complexo. Mostro meu complexo sendo uma mistura de conselheiro ancião e irmão mais novo. Há dias que você vai contar comigo e outros vou precisar de você.

Todo dia que olho pra quem eu escolhi ter para amar eu fico feliz, por que sei que fui escolhido ser amado também, por quase todos eles.

Meus amores são todas aquelas pessoas que conseguiram me tocar, e que eu consegui tocá-las no âmago. Lá dentro no escondido é onde a gente encontra a vulnerabilidade que às vezes a gente não sabe que tem, não sabe que é.

Eu troco o que posso, ensino e aprendo o que consigo. Aberto como um livro pra aqueles que me deixam os ler. 

Como o amor acaba?

Pra mim é um ensaio. 

Não me acostumei ainda a deixar de amar quem eu escolhi amar. Quem conseguiu me ver, e saber de coisas que eu não sei de mim tem em mim minha admiração.

Compreender que as vezes desnudo para alguém você é feio machuca. Em algum momento aprendi que o amor é maior que a feiura da gente. 

Não que a gente seja feio, não somos, somos lindos. Somos completos. Só às vezes assustamos alguns, e por isso somos feios àqueles olhos.

Minha dificuldade em deixar de amar está ali. Eu não deixo de amar pelo feio do outro. Eu aceito a feiura por que sei que não é feio e sim só mais um pedacinho daquele amor.

Acho que o amor é latente e perene. As vezes o amor está na memória, está no passado. 

Não sei se o amor pode acamar.

Pros outros acaba de súbito, como o ato de acolher, não compreendo.

Adendo:

A mentira é veneno doce bebido aos poucos que alimenta a insegurança e o temor. 

Não bebo dela, nem a dou de beber.

A maioria dos que eu escolhi amar também não. As vezes eu erro, e recluso sou.

Aqueles que tentam me envenenar e eu faceira percebo, de supetão, amorosamente, padeço.

0 comments:

Postar um comentário

Comente aqui"