9 de outubro de 2019
Minha modernidade liquida pré-apocalíptica.
Todos os dias a minha cabeça acorda com milhares de informações confusas sobre minha própria vida. Tem sido um saco ter que re-explicar, a ela, toda a lógica sistêmica da ordem mundial das coisas, e também sobre a perspectiva individual de todo um caos causado por uma sociedade ciclicamente falida.
Tem horas que não consigo nem me mexer, me estiro na cama e lá se vão horas no celular, fazendo vários nadas para alimentar um vazio criado por um murmúrio constante e alto; tão alto que parece silêncio.
Não sei você, mas do alto dos meus 26 anos, parece que o tempo está correndo cada dia mais rápido. Todo dia eu acordo; trabalho; me preocupo em quantos reais vou gastar; e por fim, quanto ao tempo que me sobra para o ócio, só tem sido pensar em como conseguir mais trabalho. Parece-me que existe uma culpa constante de que não estou fazendo o suficiente pra me tornar a Anitta, uma empresária de 26 e de sucesso, que agradeceu a si mesma por suas conquistas no palco mundo do Rock in Rio 2019. Muitos atribuirão isso ao Capitalismo, e eu vou além vou dizer que tem a ver com a tecnologia também.
Tudo esta sendo vivido mais rápido, e a tecnologia me fazendo paranóico. A especialização da propaganda e o meio que o mercado conseguiu me cativar é medonha. Estou consumindo desde comida até pessoas, tudo através de aplicativos no celular que custa pelo menos 2 salários mínimos atuais. Isso é insano.
Consumir pessoas tem sido um grande dilema pra mim. Como homem gay talvez exista um agravante. Os apps de pegação desterritorializaram completamente as formas de relacionamento casual que vivemos hoje em dia. Ao passo que a partir do momento que houve uma brexa tecnológica para a inserção do consumo fácil em nossas mãos, nem sair de casa estamos mais. As gays, por tempos foram marginalizadas espacialmente e agora, no momento onde "todo mundo aceita gay, principalmente o capitalismo" nós não ocupam os espaços onde a reunião social deveria acontecer.
O que me parece é que a ideia do modernismo urbano finalmente está chegando no ponto de sua idealização. Onde tudo é possível dentro do seu condomínio, agora, dentro do seu próprio celular.
Nem a velocidade da luz parece que está acompanhando; trabalho mais; consumo mais, e vivo quando?. Estou coroando o individualismo dessa era, o mesmo que vem me causando quase uma fobia social. Nasci a 26 anos atrás e hoje parece que estou ficando para trás. Não sei se é por que penso de mais sobre as coisas, que na verdade não deveria perder meu tempo pensando e só aceitar, ou se é por que isso é só um efeito colateral do isolamento forçado que estou vivendo. Talvez seja por causa da constelação familiar que eu ainda não fiz.
Só sei que isso não está nem um pouco saudável. Todos os contextos que vivo parecem me afastar cada vez mais das interações humanas, me levando a um isolamento quase que escolhido, em uma tentativa de me proteger de pessoas individualistas, a qual também me transformei, ou seja, do indivíduo individualista contemporâneo. Onde para essa pessoainha, tudo é produto ou serviço que pode ser descartado ou trocado por algo melhor; isso incluí o ócio, o corpo e as emoções.
Meu mundo está tão caótico quanto o mundo externo, agora o que eu vou fazer pra organizar essas ideias, e não ficar letárgico esperando o silêncio mental passar, são outros 500. Esse texto é um começo.
Bom, mas queride, você como eu, não está sozinhe, não somos produtos, e lembrando; só estamos qui por no máximo 100 anos. Hoje já enfrentei alguns dos meus medos, faça isso também. Acho que é única coisa que nos resta pra conseguir viver no meio desse caos instaurado na modernidade líquida pré apocalíptica. É isso. um beijo do noiadinho.
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