28 de outubro de 2010

Do outro Lado

"Dissertação Descritiva - aula do dia 27/10"

               Morada do mistério e casa do indefinido, surge no horizonte
 a luz do dia póstumo.
               Caí pela manhã em um buraco fundo, logo após eu ter saido de casa.
 Minha cabeça doía, olhei minhas mão e encontrei sangue.
               Logo ao dar-me conta donde estava - lugar sujo e sem iluminação -
 - procurei algo que eu pudesse me ancorar para levantar. Nada. Continuei caído,
 pensei de onde houvera surgido aquele buraco de dimensões indefinidas. Voltei
 a mim, pensei mais uma vez em como levantar...
               Andei não sei por quantas horas mas a paisagem sempre era a
  mesma; flores mortas, penumbra e um cheiro insuportável de esgoto.
  Ao lado de mim havia uma parede, um musgo incolor escorria por ela.
               Mais horas passaram-se e percebi que não existira dor alguma ao cair,
  apenas o sangue das mãos. Curioso.
               Passado  dias naquele lugar horrendo pude perceber que não existiu
  nenhum modo d'eu cair em um buraco... assustei-me, desesperei-me.  Desmoronei,
  chorei não pude resguardar o sentimento de desespero misturado com a sensação
  do musgo incolor nas minhas costas, estava de novo ao chão, pelo menos agora estava
  encostado à parede.
               Apagado, senti-me amorfo por alguns instantes. Ao abrir de olhos pude
   perceber a diferença gigantesca de lugar. Era claro, tinha flores lindas e árvores frutíferas
   estava eu em um outro caminho.
               Agora ao invés de horas foram segundos de caminhada para encontrar novas
   paisagens belas e visivelmente vivas.
               Uma escada - foi onde cheguei, após mais alguns passos - subi-a e.........



                         -- Ele está de volta ....!
                         -- Graças a De..u.....s... Não, Não MORRA!

   Silêncio.

23 de outubro de 2010

Holocausto Sentimental

 Destruí todos e quaisquer tipos de possibilidades de aproximação afetuosa durante esses anos. Sou jovem, dediquei-me a coisas como estudar e viver aos poucos, será que é chegada a hora de uma nova mudança que não me acomete desde meus quatorze anos?

 Politicamente falando... nada de política neste texto;

 Caí, e ainda não senti a dor do pulo. Manchado de sangue e da vida, me pergunto se é chegada aquela hora.

 Mãos trêmulas indicam que me deixo levar por sentimentos que outrora nem se quer me fizeram sorrir. Mudou-se, "mutou-se" tudo que antes era seco e morto?

 O rio de minhas lágrimas começa a voltar? ou será apenas a ilusão daquela vida que nunca alcançarei pois sou apenas um desgraçado humano imperfeito, nem mesmo sei ainda se Sou. Como posso saber se também posso ser um outro.

 
imagem retira de elimundo - blog
"Espelho" -Rene Magritte


 Matar a todos eles seria a melhor solução mas não o posso. É chegada a hora de mudanças.

15 de outubro de 2010

Prazer

Não sinto sua aproximação,
Não sinto mais o toque,
Não sinto seu lábio ou seu coração.

Oco, é a única palavra descritível,
Talvez eu tenha me tornado frígido,
Inato sentimento imutável, está invisível.

Naquele momento não o senti,
Vazio, tenro e desesperador,
lutava, mais nada. Sentimento?
Passado aquele momento nem ao menos sorri.

Por mais claro que a ação o fornecesse,
O mais puro nada foi o que transcorreu,
Dali só ficou o que não ocorreu,
Sim, frígido. E mais nada vai abastecer.

“Não é um soneto!”

11 de outubro de 2010

Canção do Nosso Exílio

Minha terra já teve palmeiras,
Onde cantava o Sabiá;
Agora o que canta é o Tiririca, Florentina, tralalá,
Deputado mais votado, no antigo país do Sabiá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nosso políticos mais dinheiro,
Nosso povo é o mais burro,
Nossa vida só desprezo.

Em cismar, sozinho, à noite,
Descobri que a cá , é melhor do que lá;
Marina tentou arrumar, e também plantar a semente, o querer,
mas o povo não à quis, como presidente do velho país do Sabiá.

Minha terra teve primores,
Mas não lembro de nenhum;
Em cismar - sozinho, à noite-
Continuo sem lembrar de qualquer um;
Minha terra só tem roubo,
Onde não canta mais o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
sem eu estar bem longe de lá;
Para que desfrute dos primores
Que nunca vou encontrar colá;
Sei que nunca verei Marina, ou qualquer um tão bom,
Presidindo a antiga terra do Sabiá.

                                    Guilherme Eduardo de Almeida.

Paródia:  Dias, Gonçalves - Canção do exílio.