24 de abril de 2022
Neurose
Que agonia conviver com elas, alguns dias chega ser quase insuportável.
Um cansaço mental se instala e é difícil se acalmar com todas as múltiplas hipóteses propostas pela minha cabeça.
Essencialmente as que mais me paralisam estão relacionadas à minha saúde. As vezes um mero resfriado, pode ser um grande comoção para mim, a sensação de que é interminável. Contabilizo dia por dia o quadro, me vejo revisando sintomas e olhando a literatura para ver se vai se tratar de algo para além de normal na evolução da doença. Imagina quando isso se refere ao meu reto.
Já passei por colonoscopia e até por duas cirurgias de remoção de verrugas genitais e hoje estou sendo importunado por um desconforto que nunca havia sentido. Ser um homem gay de preferência sexual passiva tem suas mil complicações. Na verdade são mais neuroses a cerca das minhas práticas sexuais que podem trazer algumas doenças sexualmente transmissíveis e talvez outras por certo uso da chuca como higiene anterior ao sexo anal e o próprio ato em si que implica no impacto nas paredes internas do reto.
Ser um homem gay passivo consiste em também estar atento a saúde anal além das gripes que falei, mas ser um homem gay passivo com hipocondria agrava muito a sensação de angústia quando algo errado não está certo. Ademais o Google está aí para aumentar ainda mais a angústia, por que nele o câncer e as doenças raras estão atreladas sempre aos sintomas mais diversos, ou seja você sempre pode estar com câncer na realidade.
Ser um homem gay passivo hipocondríaco com acesso à internet tem sido quase um fardo pra mim, anos e anos me deparando com auto-diagnósticos sem nenhuma comprovação científica ou ainda com apenas a comprovação de que sou hipocondríaco.
Hoje estou angustiado por que em pleno domingo de carnaval estou na espera do urgência do hospital do convênio. Há uma ou duas semanas um muco fedido tem saído na minha evacuação. Num primeiro momento eu acreditei que pudesse ser nada, mas com o tempo o reto começou a ficar cada vez mais desconfortável, meu prolapso cada vez maior e a dificuldade pra evacuar uma constante.
Ontem foi um dia bem frustrante, e não é a primeira vez nesses episódios, ao ir ao banheiro com uma vontade enorme de evacuar nada saia, apenas o muco fedido. Um muco gelatinoso que troca de cor, as vezes esbranquiçado as vezes amarelado , agora meio esverdeado, talvez por que usei Annita pra ver se melhorava. Mas não melhorou. A sensação de ontem foi extremamente desconfortável. Após tentar evacuar fui tomar um banho e aproveitar para tentar sentir a textura do meu reto. Higienizei as mãos, coloquei o dedo indicador e a sensação nele era de estar colocando o dedo em uma coisa apertada, viscosa e ao mesmo tempo grudenta. A sensação do reto era de que estava inchado e ao fundo senti uma massa meio solta. O canal está de certa forma obstruído. Estava sentindo dores nas paredes do reto e parecia que não tinha como chegar ao fim. Tudo inchado.
Decidi tomar um ibuprofeno, precisava que a dor parasse e o inchaço diminuísse. Colhi sangue na semana passada, fui ao médico na semana passada, mas não estava desse jeito, e eu não estava satisfeito em esperar. Ela fez um exame de toque e não encontrou secreção, eu ainda acho que ela não colocou o dedo fundo o suficiente.
Ser um hipocondríaco que está tratando a ansiedade na a análise, é maravilhoso. Eu me reconheço como neurótico, e de certa forma convivo melhor com a neurose por isso.
Eu poderia dizer que as vezes é mais exaustivo lidar com as neuroses do que as próprias doenças, quando elas existem. Mas as vezes não e preciso, sempre é a palavra correta.
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Fui atendido, coloquei em minha cabeça, por conforto, que era um médico homem gay. Não consegui explicar tudo, por que eu nem queria acredito eu, estava convicto agora que não era nada. Mas falei do desconforto. Ele fez o exame de toque, e nenhuma secreção apareceu. Falei que sou um gay que faz sexo anal, ele respondeu que as vezes isso acontece. Não há infecção, só inflamação. E ainda me tranquilizou disse que não era nada. Me passou um remédio mais forte que o Ibuprofeno para a inflamação, e que o acompanhamento clínico ja será o suficiente. Sai de lá tranquilo, queria mais uma vez ouvir que vou ficar bem, que tudo vai dar certo no final das contas. Vou deixar escrito aqui que ainda penso em relutar tomar o remédio que ele passou e continuar com o Ibuprofeno. Por conta da alteração do TGO da semana retrasada. Não parei de tomar remédios desde aquela virose doida. Mas acho que vou tomar sim, para manter os protocolos.