23 de abril de 2021
diário de 2021
Fazia algum tempo que eu não escrevia. Estou tomando um remédio ótimo chamado osxcilato de escilatopram, ou quase isso, rs.
Os dias tem passado mais calmos, consigo me concentrar nas minhas atividades, inclusive ler.
A ânsia e a agonia da aceleração não estão me afetando mais, bom, pelo menos comparado do que já fora.
Estou com saudades de escrever. Na verdade estou com saudade de realizações novas. Já faz 1 ano que estou desenvolvendo uma ideia, que por incrível que pareça é uma empresa. Acho que nesse mundo capitalista é a única coisa que nossa criatividade acaba sendo canalizada. O livro que estou lendo é sobre a história do brasil. Estou entendendo algumas coisas, que antes já eram ideias, mas agora ficam mais claras sobre o que é a constituição do povo Brasileiro, e no que se refere os nossos costumes e nossa forma de ser, coletiva e individual. Claro que existem nuances para cada um, mas é tão engraçado perceber como as adversidades que aparecem em cada tempo influenciam para além, e para o frente.
Essas investidas que temos tidos em pleno século XXI de regimes autoritários, e que eu achei que fosse um emburrecimento da população, na verdade são apenas mais um capitulo das história, ou tragédia. Que é ser alguém sem título e sem passado registrado nos anais da civilização.
Os privilegiados são sempre os privilegiados, salvo aqueles momentos loucos, onde na queda de regimes ou turbilhões históricos, conseguem pegar, transferir, o poder antigo para suas próprias mãos, seja o jeito que for. E pelo que estou vendo, o jeito que for, significa morte de muitos.
Piedade é um conceito cristão, pelo que eu conheço, talvez ser menos piedoso com a humanidade, primordialmente seja algo positivo? Ou talvez seja só uma divagação que todos os brilhantes tem quando acreditam que podem mudar essa engrenagem, mas no final são só dentes dessa roldana.
Muito que bem, estamos entrando na era digital. Na era que não há mais privacidade, nossos telefones ouvem o que falamos, logo vão saber o que pensamos..
O que esperar desse mundo, que ainda vivo? Estamos no meio de uma pandemia, estamos isolados, todos cada um com seu grau. O que esperar?
Muitas aflições que me seguiram durante esses anos estão suaves, fico feliz com isso. O novo não está me assustando tanto também, o trabalho não me estressa tanto. Estou desapegado! Rs! Essa está sendo uma formula muito boa da felicidade pra mim. Sem duvidas eu me sinto solitário as vezes, e escrevo esses textos rs, mas essa solidão se tornou apenas falta. Não sinto tristeza, sinto falta. Falta das memórias sendo realizadas cotidianamente de forma periódica e construindo pequenas felicidades coletivas. Acho que é isso, sinto falta de rir para além de mim, por que hoje em dia eu consigo rir sonhando, consigo rir lendo um livro, consigo rir até dos jornalistas quando comentem uma gafe e claro da Ana Maria Braga pelas manhãs a fora.
A conjuntura de medicação psiquiátrica, terapia, pandemia, estudo da história, está me deixando mais conformado com a minha existência. Outro dia desses me peguei assistindo coisas sobre o universo, um tema que sempre fui a apaixonado, mas tinha engavetado por motivos que eu não sei descrever agora, mas que devem ser inúmeros.
Bom, a conjuntura esta me tornando mais humano?
Eu realmente não sei, não sei por que é muito difícil definir o que é humanidade. Parece que a palavra carrega um moral positiva, mas ser humano é ser, de alguma maneira, o que é a sociedade hoje.
Acho que não estou me tornando mais humano, se olhar dessa forma, por que humano já sou! Por inerência de nascença e por impressão cultural.
Então talvez eu esteja me tornando menos humano! Será que é isso?
Também acho que não seja a resposta certa! rs.
Talvez eu só esteja mais conformado em ser humano, isso me parece mais plausível.
Estou me conformando a ser humano e ser o bem e o mal, ser o sórdido e o correto, ser saudável e ser doente, estar vivendo e estar morrendo, tudo ao mesmo tempo.
Acho que essa resposta é mais coerente. E efêmero somos.