28 de abril de 2011
E se...
Sempre quis ser mais alto, desde pequeno, na minha pequenez. O mais baixinho da turma, eu não gostava disso.
Pra compensar eu me achava esperto, superior. Sim, tentava compensar alguma coisa.
Aí fui crescendo, e crescendo mesmo, fiquei mais alto que meu pai. Cheguei em uma altura razoável.
Mas por mais que eu tenha crescido ainda não sou tão grande, não sou o sábio que eu dizia que era. Nem viajei, nem alcancei. Nem sei o que é alcançar, não escolhi o que alcançar.
Então estou aqui, escrevendo sobre coisas que se eu pudesse eu cataria com a minha manopla, mas coitado de mim, não posso saber e pegar o que ainda nem, acredito, sei o que é.
26 de abril de 2011
Na Escola
Escola. Mais um dia. Eu levantei e já sabia de como seria todo o meu dia. Matemática era o meu forte, mas isso não importava, porque meus cabelos e minhas roupas não agradavam.
"Professoras são quase Deus", dizia a minha avó, coitada não conhecia as minhas. Talvez ela tivesse razão, acho que sim. Talvez elas fossem algum tipo de deus pagão do candomblé, um daqueles que castigam por prazer.
Meus amigos, todos umas graças, sabiam de tudo. Eram realmente espertos e eu um burro.
Lindos, eu os adorava. Sabe, eu precisava, senão o que seria de mim?
Memória. A manhã que me marca é aquela meio clara. A menina mais bonita da sala veio falar comigo. Eu era realmente burro. Disse tantas coisas bonitas, que me amava, que eu era a sua vida e paixão. Não percebi. Disse-me antes de partir, "Me encontra no pátio, no intervalo". Eu fui.
Eu era gordo, não sei. Apanhei de não sei quantos meninos e meninas. Ela era realmente linda, sorria muito para mim.
Fui falar para a professora. Sua voz era angelical:
-- "Isso não é problema meu!".
11 de abril de 2011
Escrevido
Escrevido na tela do papel digital a emolduração do correto,
não sei se é correto corretar o errado, já que virá a ser um dia o contrário.
Escrivo e não escrevo, digito e não me meto nas questões línguô-protuguêsas.
Quero criar apenas por criar sem estética. Linguar erradamente a língua nossa, sempre certa, que não é a real.
10 de abril de 2011
Amor de Pais
A criança gritava e chorava, ela nasceu com saúde, amém. A mulher olhava para a mãe sem vida, se virou e sumiu no meio da multidão.
O dia claro em que Maria foi vista por Pedro na praça da cidade o fez desejar seu corpo de garota moça. Maria tinha seus 15 anos e nela nascia os primeiros ares de mulher, sua graça e simplicidade impediam-na de pensar em malícias. Ao contrário de Pedro.
“Dom Ruan” de classe média alta, gozava, apenas, das más oportunidades oferecidas, deixando de lado o que era ensinado por seus pais. Achava-se muito esperto, e até demais, pois o único atributo relevante que ele tinha era o dinheiro, mas não fora por isso que Maria se apaixonara por ele.
Como sempre imaginara no orfanato, Maria esperava um grande amor insistente, estes pensamentos foram criados a partir de histórias que ouvia das tias que cuidavam dela, ainda não lia. Não sabia direito aquilo o que um príncipe realmente quer, mas logo descobriria, Pedro a mostraria.
Ele aproveitava bem do dinheiro dos pais, que eram missionários e viajavam muito, e como de costume partiram para uma missão, foi nesse dia em que Pedro viu Maria na praça. Passaram-se algumas semanas e sempre com insistências de conquista contra a moça fizeram-na cair de amores por seu então príncipe.
Entregou a flor de sua mocidade. Bem, ela custou a entender o que aquilo significava, mas apreciou o prazer o qual, talvez por desgraça do destino, daria fruto.
Passara quase três mês, Maria tem a notícia em espanto. Não entende como ela podia ter um bebê em sua barriga, sabia que os bebês só vinham para moças casadas. Precisava falar com Pedro, mesmo que ele estivesse um tanto quanto distante.
Os pais de pedro como de costume estavam de viagem, só voltariam depois de alguns meses. Pedro abriu a porta, Maria entrou, sentou-se e disse. Pedro chorava e gritava com a pobre criança na sua frente, tais atitudes do Pai fizeram com que Maria enchesse seus olhos de lágrimas. Mandou-a ir embora e que ela não o procurasse mais. A menina agora estava em prantos, saiu e voltou para a praça.
Não posso ter uma criança, sou jovem, repetia para si, quando não chorava. Lembrou dos ensinamentos dos pais, lembrou do deus que aprendera quando criança, sentiu-se um monstro.
Os pais chegaram da viagem e não encontraram o filho, o procuraram não o acharam, perguntaram dele para a vizinha que apontou para a praça. Mãe e Pai estavam sentados um ao lado do outro acariciando a barriga já avantajada, assim foi que os pais de pedro descobriram quem era seu filho, o imaculado.
Voltou a discussão, Pai e pai brigavam. Porém quem era pai a mais tempo teve suas vantagens e expulsou o jovem para fora de casa. A mãe de pedro rezava.
Pegou apenas o carro, a Maria e a criança. Saíram da casa em direção aquela pequena praça, que dava acesso para fora da cidade, tentariam algum tipo de futuro em outro lugar, mas o menos esperado aconteceu. Chovia na cidade, a praça estava quase invisível. O carro perdeu o controle derrapou e rodou.
Pedro virou-se, Mãe e criança estavam na calçada, ela estava ensanguentada. Pedro desfaleceu.
Uma multidão já havia se formado, a mãe estava quase morta quando uma senhora a ajudou a pôr-se sentada. Chorando disse que o nome da criança seria Princesa, mas a mulher não deu muita atenção. Maria deitou-se e fechou seus olhos.
A Criança chorava e gritava, foi acudida pela senhora que logo a fez quieta. Cuidaria da criança, qual era o nome da menina mesmo, sumiu na multidão.
Imagem de venancionego.blogspot

